segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O ADESIVO QUE INCOMODA!? Uma manifestação de indignação.

Por: Prof. Miguel Pereira

O adesivo de um carro pode ser um instrumento de propaganda e também pode ser de um tipo especial de propaganda, aquele que incomoda. Pode trazer uma mensagem que não precisa de argumentos para convencer ou simplesmente para incomodar.
No período da Ditadura Militar (década de 1960-1980) não se podia fazer qualquer propaganda que contrariasse os interesses dos militares, então no poder. Por quê? Porque não existia democracia. Não se permitia que as pessoas tivessem voz e voto, ou se quer pensasse sobre a possibilidade de desejar o fim de uma das ditaduras mais sangrenta da América Latina.
Pensamos que esse momento, da falta de liberdade de expressão, já não existisse mais, porém permanece. Tanto que até um adesivo em um carro com as inscrições: “VOTE NÃO A DIVISÃO DO PARÁ!”, é motivo para se rasgar a opinião do outro. Foi o que aconteceu com o adesivo colado a meu carro, foi arrancado e rasgado por alguém que pensa pequeno, que não gosta de ser contrariado, um(a) intolerante, que se é capaz de arrancar um simples adesivo que o incomodou, terá coragem de atitude pior. Talvez, o “cidadão (ã)” incomodado (a) esconda as suas verdadeiras intenções quando se propõem a apoiar a divisão do estado; desconhece o que essa aventura signifique para a maioria da população paraense; ou deteste a condição de ter conseguido progredir no solo paraense.
Este meu manifesto além da indignação é um apelo para continuarmos aprofundando a democracia plena, devemos permitir que todos tenham o direito a informação. Penso que devemos nos indignar contra toda manifestação de intolerância de qualquer natureza e de xenofobia. Discutamos, mas quem deve decidir de que lado quer ficar é a população. Se dividir está tudo bem, continuaremos lutando por melhoria de condições de vida para todos. Se não dividir, continuaremos do mesmo modo, lutando.
A marca do adesivo (que incomodou) no meu carro ficará, servirá para eu lembrar o quanto ainda precisamos avançar, e ao mesmo tempo servirá para eu saber que existem pessoas perigosas, que fazem coisas perigosas ás escondidas, não tem coragem de se apresentar. Eu me apresento, e não me importo se apenas eu andar com um adesivo manifestando a minha opinião, é a minha opinião e vou continuar respeitando a opinião dos outros. Vou continuar fazendo o que sempre fiz em anos, lutar por democracia.
P.S. os acontecimentos narrados ocorreram no dia 21 de setembro de 2011 – entre as 7h e 11h30 em frente ao portão da escola Acy de Barros, em Conceição do Araguaia/PA.
QUEM NÃO SE INFORMA, NÃO FALA NÃO OUVE NÃO VÊ.
PROF. Me. MIGUEL PEREIRA

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Divisão do Pará: quem paga a conta?

O título desta postagem nos mostra de forma crível como devemos exercitar a dúvida sobre a propalada falácia da divisão do Estado do Pará. Utilizo o poster do Promotor de Justiça Titular do municipio de Gurupá, pela forma didática e impessoal de tratar o assunto. Vamos a leitura!

A Divisão do Pará

1 – QUEM PAGA A CONTA. Diversos estudos demonstram a inviabilidade da
relação tributos/despesas destes novos estados, ou seja, os estados já
nasceriam falidos, e a União teria que complementar esta diferença, ou
seja, todos os brasileiros iriam bancar esta despesa.

2 – ESTRUTURA: um novo estado demanda grandes investimentos em
estrutura governamental, então seriam criados um governo estadual, uma
assembléia legislativa, um TJE, um MPE, um TCE, um TCM, cargos
comissionados, etc. E o dinheiro para educação, saúde e segurança
pública para essas populações? Não iria sobrar!

3 – POPULAÇÃO X TERRITÓRIOS: Há um equívoco quando dizem que o estado
é muito grande por isso tem que dividir. Estes novos estados teriam
uma população muito rarefeita, sendo que os dois teriam uma população
menor do que o município de Belém, excluindo região metropolitana
(Ananindeua, Marituba e Benevides, santa Isabel e Santa Bárbara). será
razoável um gasto tão grande para, em tese, beneficiar uma população
bem pequena? Ressalte-se que criação de estados por si só, não gera
riqueza, apenas para alguns. Vejam a região Nordeste (MA, PI, CE, RN,
PB, PE, SE, AL,BA) é a região mais pobre do Brasil, enquanto que a
região sul (RS, SC, PR) é a mais desenvolvida social e economicamente.

4 – FALÊNCIA DO ESTADO DO PARÁ. Mal ou bem o estado do Pará, possui
uma estrutura governamental para atender todo o estado. Com a divisão
os servidores públicos estaduais teriam o direito de optar em ficar ou
voltar para o estado do Pará, além do pagamento dos servidores
aposentados e pensionistas. Como o Pará iria bancar estes servidores,
se ocorrer diminuição de receita? Os investimentos que o governo do
Pará efetuou nestas regiões, Como o Pará iria quitar estes débitos? se
estes estados nascem livres de dívidas! como o Pará se sustentará com
diminuição de receita, mas a continuidade de maior parte das despesas,
já que ficará com a maior parte da população?

5 – RIQUEZAS NATURAIS: Quando o capitão-mor FRANCISCO CALDEIRA DE
CASTELO BRANCO no ano de 1616 fundou o povoado de Santa Maria de Belém
do Grão-Pará, estas riquezas naturais (Serra dos Carajás), Rio
Tocantins (Tucurui) Rio Xingu (Belo Monte), Rio Tapajós (Alter do
Chão) entre outras já pertenciam a Provincia de Grão-Pará e Maranhão.
Assim, não se sustenta o argumento daqueles que chegaram no Pará,
durante a colonização da Amazônia, de que essas riquesas seriam suas e
que Belém se apropria delas, sem dar retorno para essas regiões.

6 – AUSÊNCIA DE PARAENSES NO SUL DO PARÁ – Um dos argumentos dos
separatistas é de que na região de Carajás não teria paraenses. Esta
informação é equivocada. O último censo do IBGE listou a origem dos
habitantes do Sul do Pará. O maior contingente populacional são de
nascidos no estado do Pará (40%), em 2º lugar, Maranhense (20%), 3º
Tocantinenses, 4º goiano etc. A grande confusão dos separatistas é
afirmar de que existem poucos paraenses no Sul, na verdade, existem
poucos belenenses nestes lugares, a maioria ocupantes de cargos
públicos. Em uma reunião na cidade de Redenção na época, quando eu
respondia lá, foi levantada esta situação, de que existem poucos
paraenses no Sul do Pará. Tinha um mineiro, um paulista e um goiano e
eu questionei quais deles eram oriundos de suas capitais de seus
respectivos estados. Nenhum!!!!!!!! Era de capital de estado, e sim do
interior!!!!, apenas eu era oriundo de Belém.

7 – DIFERENÇA CULTURAL – UM dos argumentos é de que existem diferenças
culturais entre o sul do Pará e o resto do Pará. Outra informação
equivocada, somente de Xinguara pra baixo e pro lado direito com
destino até Saõ Félix do Xingu, que a cultura é diferente, pois
Marabá, Parauapebas, Tucurui a cultura paraense é dominante ou muito
relevante, além do quê este fato por si só não justifica a criação de
um estado.

8 - INTERESSE PESSOAL X INTERESSE COLETIVO – um dos aspectos que se
observa, é que algumas autoridades destas áreas efetua um raciocínio
dentro de uma perspectiva individual (o que eu ganho com a separação?)
do que propriamente o interesse coletivo.Em uma audiência eleitoral na
comarca de Curionópolis, os advogados de Parauapebas e Marabá estavam
comentando acerca da distribuição dos Cargos no futuro estado do
Carajás. Lá foi dito que o atual prefeito de Parauapebas, Darci seria
conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Governador seria Asdrúbal
ou Giovani, sendo uma vaga de senador seria para um deles. O prefeito
de Curionópolis Chamonzinho seria dep. Federal. Em Marabá, alguns
juízes estão eufóricos com a possibilidade de virem a ser
desembargadores, inclusive uma já se intitula futura presidente do
TJE/Carajás ou desembargadora. Alguns advogados já estão fazendo
campanha pela separação para entrarem pelo quinto constitucional como
desembargadores ou entrar como Juiz do TRE/Carajás.
Questiono onde está o interesse público tão almejado?

9 – PLEBISCITO – A legislação é clara sobre quem seriam os eleitores
do plebiscito. A população diretamente interessada (art. 18, §3º da
Constituição Federal) A legislação ordinária já regulamentou o tema.
Art. 7º da lei nº 9709/98. In verbis:
“Art. 7o Nas consultas plebiscitárias previstas nos arts. 4o e 5o
entende-se por população diretamente interessada tanto a do território
que se pretende desmembrar, quanto a do que sofrerá desmembramento; em
caso de fusão ou anexação, tanto a população da área que se quer
anexar quanto a da que receberá o acréscimo; e a vontade popular se
aferirá pelo percentual que se manifestar em relação ao total da
população consultada."
Bom creio que não há dúvidas acerca do tema.
Após a publicação do decreto legislativo do plebiscito de Carajás, a
Assembléia Legislativa do Estado de Goiás, ajuizou ação perante o STF
requerendo liminarmente que apenas os moradores da região sul e
sudeste do Pará a ser cindida (Carajás) seja ouvida no plebiscito,
excluindo o oeste do Pará, Região Metropolitana de Belém, região da
Transamazônica, região Nordeste e ilha do Marajó. O Relator é o
Ministro Dias Tófoli, e o Estado do Pará, foi citado e já apresentou
Memoriais e argüindo a ilegitimidade ad causam, e no mérito, que todos
os paraense possam opinar.
Com que ética se espera destes cidadãos que estão a frente desses
movimentos separatistas? Que dizer então que como paraense nato, não
posso opinar sobre os rumos do meu estado?

10 – PLANEJAMENTO DO DESENVOLVIMENTO – Entendo a relevância deste
debate, pois as mazelas que existem no interior do estado devem ser
enfrentadas para se propiciar maior cidadania e dignidade a estas
populações. A mera divisão territorial não é o remédio adequado para
sanar subdesenvolvimento. O Jornal “FANTÁSTICO” apresentou matéria
especial acerca do lugar mais violento do Brasil, com índices de taxas
de homicídio superior a regiões que estão em guerra, perdendo apenas
para Honduras. É a região do Entorno do DF (estado de Goiás) onde a
pobreza é alarmante, os médicos pediram transferência ou exoneração,
postos de saúde fechados e a PM de Goiás tem medo de trabalhar lá.
Fica apenas 40 quilômetros do Palácio do Planalto (Casa da Dilma),
distância equivalente entre Belém e Santa Isabel. E 60 quilômetros de
Goiânia, distância equivalente entre Belém e Castanhal.
Constatem que no centro político do Brasil existe esta região carente
de políticas públicas, o que rechaça os argumentos dos separatistas,
de que a pobreza do interior do Pará seja decorrente da distância de
capital Belém.

No meu entendimento, o que falta é melhorar a gestão da administração
pública, devendo atuar com mais agilidade e competência, combater a
corrupção e os vícios dos serviços públicos, e aumentar os
investimentos na Educação, Saúde e Segurança Pública, com maior
capacitação dos profissionais da área e melhorias salariais e das
condições de trabalho. Creio que atuando desta forma, existem chances
concretas de resgate da dignidade dessa população do interior e de
todo o Estado do Pará.

Gurupá, 11 de junho de 2011.

LUIZ GUSTAVO DA LUZ QUADROS
PROMOTOR DE JUSTIÇA TITULAR DE GURUPÁ

terça-feira, 10 de maio de 2011

Quem é bárbaro?

Publicado na revista Espaço Acadêmico nº 60 - maio de 2006
A chamada da reportagem de uma emissora de TV anunciou: Ataque bárbaro! Referindo-se em tom melancólico as explosões ocorridas em Londres no dia 07 de junho de 2005. E, o jornalista de TV, com a voz embargada, clama: “É a barbárie atacando a civilização”. Desse modo, a mídia tenta fazer crer que apenas um lado é que tem razão, que deve ser justiçado, pois foras-da-lei inescrupulosos ameaçam os seres civilizados. E quem são os civilizados? Os ocidentais, e especificamente os países de mercado capitalista, acreditam os empresários dos meios de comunicação.
Mas então, quem velará os corpos das milhares de crianças iraquianas destroçadas pelas bombas? Os jornalistas poderiam, ao se referir aos ataques dos Estados Unidos, pelo menos clamar com a voz embargada e emoção pusilânime: “são os bárbaros sendo atacados pela civilização”. Será que nesse momento interessa saber qual o bárbaro que atacou primeiro? Se os cristãos nas cruzadas, com suas espadas em punho cortando cabeças dos infiéis no Oriente Médio. Ou quem atacou primeiro fora parte da versão dos esclarecidos do iluminismo que voltaram o foco para sua face, se ofuscaram e perderam o princípio de defesa do humanismo e tornaram-se os bárbaros da modernidade contemporânea.
Talvez a razão se auto-destruiu fundindo-se à barbárie reflexiva que adota a crise profunda para se renovar. Assim sendo, estaríamos forçados a confirmar os postulados dos pensadores da Escola de Frankfurt, Horkheimer e Adorno, e denominarmos este instante de razão bárbara, onde o esclarecimento exalta o sujeito e ao mesmo tempo assina sua sentença de morte fazendo a civilização racionalista retornar à barbárie. Adorno e Horkheimer na década de 1950, já completamente desiludidos com a possibilidade da libertação da humanidade pelo liberalismo moderno, concluíram que o esclarecimento moderno, que se propôs a construir o processo de desencantamento do mundo, a sua desmitologização e a substituição da imaginação pelo conhecimento, se esfumaçou diante do mito que os profetas e deuses da antiguidade perenizaram no pensamento da humanidade.
Mas, por outro lado, Adorno e Horkheimer fundamentam a teoria da dialética da razão amparado pela idéia da pureza da razão, confiando num determinado curso unitário da história. Entretanto, Mattei não engrossa esse discurso, na sua opinião não existe a pureza da humanidade como uma unidade totalizante, ou seja, a nossa história é derivada de uma face impura em que habitam o homem civilizado e o bárbaro somente em um Ser. Desse modo: “Um animal ou um deus não pode cair na barbárie, pois o animal, puro instinto, ou o deus pura razão, para empregar a linguagem de Pascal, estão abaixo ou acima do humano” (Mattéi).
O bárbaro para alguns é ser inculto, desletrado com costumes antropofágicos que está num estágio inferior da evolução social e política. Civilizado são aqueles que se libertam dos costumes de suas sociedades tradicionais e, paulatinamente, adquirem comportamento moderado, caiado por um “refinamento” de conduta, ou seja, adquirem hábitos sociais e culturais que não os seus. Para outros teóricos, o que existem são civilizações que evoluem dentro de sua própria experiência e conduta, onde os indivíduos lutam internamente para crivarem os costumes inúteis à convivência em comunidade. Um bom exemplo recente são as mulheres iranianas, que sem a interferência de uma “potencia civilizadora” imperialista, empurram aos poucos as velhas regras de convivência inutilizadas por novas relações sociais.
Mas, utilizemos os conceitos iniciais para falarmos de guerra e terrorismo. A guerra, para o bem ou para o mal, é uma das formas de revelar a barbárie que está contida no discurso dos que são cunhados de bárbaros tanto quanto nos civilizados, ou seja, o civilizado e o bárbaro são os mesmos, trocam apenas de papel quando a lógica está do seu lado e quando se tem o poderio da propaganda ao seu lado.
Quem é mais bárbaro? A moderna máquina inteligente da guerra, explodindo crianças e adultos inocentes no Afeganistão, e recentemente no Iraque? Ou os aviões colidindo com as torres gêmeas no 11 de setembro torrando e soterrando inocentes. Ou a “pós-moderna” máquina de propaganda que transforma infiéis em fieis, culpados em inocentes, ou vise-versa, porque a poderosa mídia pode transformar monstros em cordeiros e cordeiros em monstros.
Quem foi o precursor da infidelidade e da matança a inocentes? Não foram os Muçulmanos, não foram os Judeus, não foram os ocidentais. “Meu Deus!”, não foi Hitler. Essa é parte da verdade dos fatos, não a sua essência, pois todos têm culpa. O fundo da questão está na relação humana inacabada que não inclui o outro. O civilizado sou eu, o outro é o bárbaro. Para Bush, “A civilização está em perigo, ameaçada pelo terrorismo cego, pelo fanatismo frenético e pelo obscurantismo arcaico dos novos bárbaros, que são das redes islâmicas encabeçadas pelos três países do eixo do mal: Iraque, Afeganistão e a Coréia do Norte”. Para Bin Laden, o bárbaro e o infiel estão no Ocidente, representados pelos Estados Unidos, simbolizando o cristianismo individualista e o materialismo moderno (Francis Wolff, 2004).
Por trás da ignorância do outro está o princípio de que a minha civilização por ser a “perfeita” deve ser universalizada, uniformizada. Não é isso que mobiliza a cruzada pelo fim do “eixo do mal”, pela ocidentalização do mundo? A cruzada pela islamização do mundo? Será essa a dicotomização mais coerente? Barbárie e civilização, ou existe duas formas de barbáries: “a barbárie destrutiva do fanatismo versus a barbárie devastadora da civilização”(idem).
Com o fim do Império Britânico, Rooselvet antecipara a postura dos Estados Unidos frente a sua nova condição de determinar o destino do mundo, ridicularizou os britânicos e se apropriou dos slogans e da propaganda britânica para impor um modelo acabado de sociedade baseada na cultura Norte Americana (EUA): “uma civilização melhor que é a que sempre conhecemos está reservada para a América e, por meio de nosso exemplo, talvez para o mundo. O destino parece ter se detido longamente” (Discurso Comemorativo dos Cinqüenta Anos da Estatua da Liberdade, NY, 28 de outubro de 1936. Citado por Meszáros, 2003)
A postura Norte Americana manteve-se com uma determinação rigorosa de conduzir o mundo sob a sua batuta e historicamente manteve subservientes os governantes britânicos, transformando-os em “cavalo de Tróia” em sua escalada de ocupação militarista aos países que teimam em não permitir serem conduzidos política e economicamente pelos EUA (Meszáros, 2003).
Em “Socialismo e Barbárie”, Meszáros conclui sua obra afirmando que Marx previu que em um futuro indeterminado haveríamos de enfrentar, forçosamente, a escolha em relação à ordem social a ser adotada, como imperativo de salvar a própria existência, pois já havia um processo crescente de desumanização das relações sociais. Rosa Luxemburgo, em outra fase da história, retomou os argumentos de Marx só que o poder destrutivo (da humanidade) da máquina militar do imperialismo ainda não era cogitado. Hoje vivemos em uma outra escala, onde o potencial qualitativo de destruição da humanidade alcançou trágicos contornos, sem o que, o capitalismo globalizado apresente capacidade para solucionar suas contradições.
Finalmente, o terrorismo é uma forma de guerra não declarada onde não se conhece o oponente face-a-face, diga-se de passagem, os Estados Unidos já utilizou em larga escala este instrumento, hoje condena momentaneamente por não servir aos seus propósitos que é o da intervenção direta com objetivos de ocupação imediata. Desse modo, se a guerra é o lado perverso da luta entre os povos; a guerra não declarada é utilizada com sutileza ainda mais perversa pelo poder da mídia a serviço do imperialismo. Os atos são apresentados com alta carga de dramaticidade, construídas com slogans que estimulam a ignorância sobre o que é barbárie e civilização, mas que, infelizmente, são consumidas pelo o senso comum. Tudo isso comandado pelo jornalismo comprometido com os propósitos da potência militar estadunidense que costuma encobrir os reais motivos da guerra, que é a falta de igualdade substantiva entre os povos.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

DIVISÃO DO PARÁ: POBREZA REPARTIDA, QUEM SOFRERÁ É O POVO

Variados meios de divulgação condenam a divisão do Estado do Pará. Afirmam ser um prejuízo não calculado que levará a população paraense e os possiveis estados a sofrerem consequências desastrosas, no que diz respeito a melhoria de condições de vida do povo. Porém, por outro lado, percebe-se dois tipos de vozes favoravéis: a do povo desinformado; e dos que têm interesses meramente político-eleitoral.
Nesta postagem, publico parte da entrevista com pesquisador do IPEA sobre o assunto.
Ipea: plebiscito no Pará pode dar origem a dois estados inviáveis
Caso sejam criados, os estados de Carajás e Tapajós serão economicamente inviáveis e dependerão de ajuda federal para arcar com as novas estruturas de administração pública que precisarão ser instaladas. É o que afirma Rogério Boueri, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Pará
Considerando os dados mais recentes disponíveis, referentes a 2008, Boueri concluiu que Tapajós e de Carajás teriam, respectivamente, um custo de manutenção de R$ 2,2 bilhões e R$ 2,9 bilhões ao ano. Diante da arrecadação projetada para os dois estados, os custos resultariam num déficit de R$ 2,16 bilhões, somando ambos, a ser coberto pelo governo federal, conforme o especialista do Ipea.

O PIB do Pará em 2008, ressaltou o economista, foi de R$ 58,52 bilhões, e o estado gastou 16% disso com a manutenção da máquina pública. O estado do Tapajós gastaria cerca de 51% do seu PIB e o de Carajás, 23%. A média nacional é de 12,72%. “Nessas bases, não tem estado que se sustente”, afirma Boueri.

Os cálculos do pesquisador se baseiam nas médias de gasto com a manutenção da máquina pública por habitante em cada estado. A partir disso, considerando as populações dos novos estados em discussão, ele chegou a uma projeção de quanto cada um deles gastaria.

A estimativa não leva em conta os investimentos envolvidos na criação de estados, lembra o pesquisador, como a construção de edifícios públicos e, no caso do interior do Pará, a necessidade de implantar infraestrutura, já que será necessário ampliar aeroportos e rodovias. Para Boueri, Tapajós e Carajás “serão estados de boca aberta, esperando o dinheiro do governo federal”.

Novas capitais

Na quinta-feira (5), a Câmara aprovou projetos de realização de plebiscitos para decidir sobre a criação dos estados de Carajás e Tapajós, que seriam desmembrados do Pará. No caso de Carajás, um decreto deve ser promulgado pelo presidente do Congresso, José Sarney (PMDB-AP), autorizando a realização da consulta. No caso de Tapajós, o plenário da Câmara aprovou o plebiscito, mas ainda falta votação no Senado.

Quem defende a divisão do Pará em três estados são os prefeitos das cidades que passariam a ser capitais. Eles apontam a distância da capital Belém e a consequente ausência do governo estadual como os motivos para a divisão do estado.

Segundo Maria do Carmo, prefeita de Santarém, prevista para ser a capital de Tapajós, a criação do novo estado é uma reivindicação histórica e cultural. "Estamos a mais de 800 quilômetros da capital. Os recursos e os serviços não chegavam", disse. De acordo com a prefeita, "mesmo com o aumento da presença dos governos federal e estadual, permaneceu o espírito separatista".

Maurino Magalhães, prefeito de Marabá, que pode ser a capital de Carajás, disse que vai "batalhar" pela criação da nova unidade da federação. "A maioria da população da região é favorável à divisão", disse Magalhães. "Somos uma região de difícil acesso e com pouca presença do governo estadual. Por isso, vai ser importante a criação de Carajás para o desenvolvimento da nossa região."

Em nota, o governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), se disse favorável ao plebiscito, mas afirma que a população "deve ter total clareza do que vai escolher e suas reais consequências".

Da Redação, com informações do G1. Republicado no portal do "Vermelho"

segunda-feira, 2 de maio de 2011

1º De Maio

Quem acredita que o primeiro de maio foi esquecido ou substituido pelas programações com cantores da "moda" está enganado, pelo mundo todo seguiram-se intensa programação de luta. Muitos trabalhadores levantaram a bandeira do socialismo. Cuba, que realizou o Congresso do partido comunista recentemente, reafirmou que a "ilha" continua a perseguir o um outro mundo possivel para os trabalhadores e a sociedade. Segue o link do Portal Vermelho que publicou um excelente artigo sobre o assunt. http://vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=153170&id_secao=7

quarta-feira, 13 de abril de 2011

INSURREIÇÕES NO MUNDO ÁRABE - POR RAIMUNDO JUNIOR (TOQUINHO)

Por ser assunto de importância no campo da política internacional publico na íntegra a colaboração do estimado (Toquinho) conhecido em nosso meio (Conceição do Araguaia) como "Mundico". Sociologo e Bibliotecário, Servidor Público Federal (IFPA).

INSURREIÇÕES NO MUNDO ÁRABE

O mundo atual vive uma ebulição política, por conta dos processos insurrecionais vividos pelos países árabes, que tem por motivação o fundamentalismo religioso e a questão da política imperialista na região, que remonta o expansionismo territorial de Israel expresso na guerra dos seis dias, que ocupou parte do território da síria, Egito e Jordânia.
A população dos países muçulmanos sempre condenou as iniciativas de aproximação com o ocidente, e os acordos e alianças espúrias com as potencias capitalistas e seu aliado na região, Israel. Senão vejamos o caso emblemático do Egito, que após firmar a paz em separado com Israel, através do acordo de Campi Davi (1979) assinado por Anuar El-Sadat, reconhecendo o Estado sionista e enfraquecendo e isolando a unidade árabe na sua luta para recuperar os territórios ocupados, gerou um descontentamento generalizado no mundo árabe e um sentimento de revolta, que culminou com o assassinato de El-Sadat por fundamentalistas religiosos. O seu sucessor Hosni Mubarak continuou com a mesma política, sendo aliado de primeira hora do imperialismo, nas guerras do Golfo e no massacre ao povo palestino. E por conta disso, Mubarak veio a sofrer um atentado em 2006, que quase o vitimou de morte. Até que por fim, foi apeado do poder por essa recente onda revolucionária.
O Egito, por sua importância geopolítica, por ser um Estado fronteiriço à Israel e ser o mais forte dos países árabes, a política imperialista foi operada através de uma intervenção menos militar, e mais diplomática e de logística aos grupos opositores do regime, para no fim fazer um arranjo político, trocando Mubarak por uma junta militar, sem realmente mudar nada. Afinal, os EUA jamais irão aceitar que esse país vizinho à Israel, e o segundo mais importante aliado do imperialismo ianque na região caia nas mãos de grupos fundamentalistas radicais.
Não menos diferente, na Líbia de Muammar Kadafi, o regime socialista instalado tinha também o viés nacionalista, era próximo da extinta URSS, e apoiava a OLP e a causa Palestina contra o Estado de Israel, sendo por isso, vítima de um embargo econômico, na década de 80, sob acusação de apóio a grupos terroristas. Porém, a capitulação de Kadafi deu-se a partir da década de 90, quando o governo realizou movimentos de aproximação com o ocidente, através da abertura da economia ao capital estrangeiro, da privatização de setores estratégicos e da ruptura diplomática com o Irã, por este apoiar grupos radicais. Isso também gerou indignação e revolta na população de maioria muçulmana, que culminou com uma tentativa de assassinato à Kadafi, em 1998, cuja autoria foi reivindicada pelo grupo extremista “Movimento dos mártires Islâmicos”. E agora, depois de tanta traição à luta do povo árabe, Kadafi se segura para não ser apeado do poder por grupos opositores ao regime.
Em termos político-militar, a coalizão imperialista faz uma intervenção armada “cirúrgica” para derrubar o ditador Kadafi do poder, de olho nas reservas inexploradas de petróleo, de um lado, e de outro lado, para evitar que o poder caia nas mãos de grupos fundamentalistas hostis e avessos ao imperialismo ianque. Em meio às pressões internas e externas, o ditador parece se sustentar no poder, por aquilo que Nietzche costuma chamar de “desejo de poder”, que acompanha toda e qualquer criatura viva.
História parecida tem a Síria governada pelo partido Baath desde 1963. O regime dos al-Assad também tem um caráter nacionalista e socialista, era próximo da extinta URSS e sempre foi partidário da causa palestina contra Israel. Porém, capitulou ante aos interesses do imperialismo americano, se opondo ao Iraque na primeira guerra do Golfo. E, politicamente falando, os EUA têm grande interesse numa insurreição dirigida nesse país, por fazer fronteira e ser extremamente hostil ao vizinho Israel e aos interesses imperialistas.
Em síntese, a religião que sempre foi um fermento desses conflitos no oriente médio, também sempre foi usada como pretexto para a edição dessas novas cruzadas, por parte das potências capitalistas, representando o mundo ocidental cristão, de um lado, e de outro lado, por parte dos países muçulmanos, para a edição da Jiha islâmica ou guerra santa, que os grupos radicais Xiitas usam para combater o ocidente impuro e infiel e seu aliado, Israel. Na verdade, o componente religioso esconde as disputas territoriais, os interesses imperialistas na região, a luta pela autonomia palestina nos territórios ocupados, a construção e o reconhecimento de um Estado palestino, etc. É como dizia Voltaire, “se Deus não existisse, teria que ser inventado”, porque sempre interessa a um lado e outro, passar para a sua opinião pública a idéia de que esses conflitos não passam de um duelo do bem contra o eixo do mal.
Portanto, o fato é que, enquanto persistir a busca alucinada por reservas de petróleo e de mercado por parte dos países imperialistas, os conflitos não vão cessar, e vamos continuar assistindo a edição de novas cruzadas, de um lado. E de outro lado, enquanto Israel não devolver os territórios ocupados (colinas Golã, Cisjordania e Gaza), parar com a política segregacionista e de massacre aos palestinos e permitir a criação de um Estado laico, democrático e independente na palestina, o oriente médio vai continuar sendo um barril de pólvora. E quanto a nós, só cabe em respeito à autodeterminação dos povos, a solidariedade e o apoio à luta do povo árabe contra a opressão imperialista dos EUA e seu aliado na região, Israel.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Movimentos sociais devem retomar as ruas!

A Ala neoliberal presente do governo Dilma puxa a corda para posicionar o seu governo à direita. A votação do salário mínimo, no dia 16 de fevereiro, é forte indicação de que o grupo financista ganhou a queda de braço, neste primeiro round, no governo em disputa de Dilma. O artigo de Miro é um excelente indicador de que os movimentos sociais devem retonar as ruas para enfrentar o grupo ortodoxo dirigido por Palocci e companhia. O grupo neoliberal encastelado no PT, derrotado parcialmente no último governo de Lula, volta a tomar folêgo e atua com desenvoltura neste inicio de governo de Dilma. Neste momento é essencial que os movimentos sociais aqueçam as turbinas para volta às ruas, tendo clareza que os cortes indicados de 50 bilhões, podem e vai incidir sobre os ganhos sociais conquistados a duras-pena nestes oito anos de govern Lula.
A batalha que se avizinha chama o movimento sindical para lutar a favor da redução de horas de trabalho, o que exigirá uma forte organização sindical que conquiste a sociedade para a necessidade de avançarmos para melhores condições de vida para o trabalhador brasileiro. Neste sentido, outros setores da sociedade como: estudantes, movimento pela moradia, sem terras etc. devem buscar forte unidade.
Todos precisamos formar opinião e neste sentido o artigo de Miro no Vermelho é uma excelente forma de informação e formação. leiam!