Publicado na revista Espaço Acadêmico nº 60 - maio de 2006
A chamada da reportagem de uma emissora de TV anunciou: Ataque bárbaro! Referindo-se em tom melancólico as explosões ocorridas em Londres no dia 07 de junho de 2005. E, o jornalista de TV, com a voz embargada, clama: “É a barbárie atacando a civilização”. Desse modo, a mídia tenta fazer crer que apenas um lado é que tem razão, que deve ser justiçado, pois foras-da-lei inescrupulosos ameaçam os seres civilizados. E quem são os civilizados? Os ocidentais, e especificamente os países de mercado capitalista, acreditam os empresários dos meios de comunicação.
Mas então, quem velará os corpos das milhares de crianças iraquianas destroçadas pelas bombas? Os jornalistas poderiam, ao se referir aos ataques dos Estados Unidos, pelo menos clamar com a voz embargada e emoção pusilânime: “são os bárbaros sendo atacados pela civilização”. Será que nesse momento interessa saber qual o bárbaro que atacou primeiro? Se os cristãos nas cruzadas, com suas espadas em punho cortando cabeças dos infiéis no Oriente Médio. Ou quem atacou primeiro fora parte da versão dos esclarecidos do iluminismo que voltaram o foco para sua face, se ofuscaram e perderam o princípio de defesa do humanismo e tornaram-se os bárbaros da modernidade contemporânea.
Talvez a razão se auto-destruiu fundindo-se à barbárie reflexiva que adota a crise profunda para se renovar. Assim sendo, estaríamos forçados a confirmar os postulados dos pensadores da Escola de Frankfurt, Horkheimer e Adorno, e denominarmos este instante de razão bárbara, onde o esclarecimento exalta o sujeito e ao mesmo tempo assina sua sentença de morte fazendo a civilização racionalista retornar à barbárie. Adorno e Horkheimer na década de 1950, já completamente desiludidos com a possibilidade da libertação da humanidade pelo liberalismo moderno, concluíram que o esclarecimento moderno, que se propôs a construir o processo de desencantamento do mundo, a sua desmitologização e a substituição da imaginação pelo conhecimento, se esfumaçou diante do mito que os profetas e deuses da antiguidade perenizaram no pensamento da humanidade.
Mas, por outro lado, Adorno e Horkheimer fundamentam a teoria da dialética da razão amparado pela idéia da pureza da razão, confiando num determinado curso unitário da história. Entretanto, Mattei não engrossa esse discurso, na sua opinião não existe a pureza da humanidade como uma unidade totalizante, ou seja, a nossa história é derivada de uma face impura em que habitam o homem civilizado e o bárbaro somente em um Ser. Desse modo: “Um animal ou um deus não pode cair na barbárie, pois o animal, puro instinto, ou o deus pura razão, para empregar a linguagem de Pascal, estão abaixo ou acima do humano” (Mattéi).
O bárbaro para alguns é ser inculto, desletrado com costumes antropofágicos que está num estágio inferior da evolução social e política. Civilizado são aqueles que se libertam dos costumes de suas sociedades tradicionais e, paulatinamente, adquirem comportamento moderado, caiado por um “refinamento” de conduta, ou seja, adquirem hábitos sociais e culturais que não os seus. Para outros teóricos, o que existem são civilizações que evoluem dentro de sua própria experiência e conduta, onde os indivíduos lutam internamente para crivarem os costumes inúteis à convivência em comunidade. Um bom exemplo recente são as mulheres iranianas, que sem a interferência de uma “potencia civilizadora” imperialista, empurram aos poucos as velhas regras de convivência inutilizadas por novas relações sociais.
Mas, utilizemos os conceitos iniciais para falarmos de guerra e terrorismo. A guerra, para o bem ou para o mal, é uma das formas de revelar a barbárie que está contida no discurso dos que são cunhados de bárbaros tanto quanto nos civilizados, ou seja, o civilizado e o bárbaro são os mesmos, trocam apenas de papel quando a lógica está do seu lado e quando se tem o poderio da propaganda ao seu lado.
Quem é mais bárbaro? A moderna máquina inteligente da guerra, explodindo crianças e adultos inocentes no Afeganistão, e recentemente no Iraque? Ou os aviões colidindo com as torres gêmeas no 11 de setembro torrando e soterrando inocentes. Ou a “pós-moderna” máquina de propaganda que transforma infiéis em fieis, culpados em inocentes, ou vise-versa, porque a poderosa mídia pode transformar monstros em cordeiros e cordeiros em monstros.
Quem foi o precursor da infidelidade e da matança a inocentes? Não foram os Muçulmanos, não foram os Judeus, não foram os ocidentais. “Meu Deus!”, não foi Hitler. Essa é parte da verdade dos fatos, não a sua essência, pois todos têm culpa. O fundo da questão está na relação humana inacabada que não inclui o outro. O civilizado sou eu, o outro é o bárbaro. Para Bush, “A civilização está em perigo, ameaçada pelo terrorismo cego, pelo fanatismo frenético e pelo obscurantismo arcaico dos novos bárbaros, que são das redes islâmicas encabeçadas pelos três países do eixo do mal: Iraque, Afeganistão e a Coréia do Norte”. Para Bin Laden, o bárbaro e o infiel estão no Ocidente, representados pelos Estados Unidos, simbolizando o cristianismo individualista e o materialismo moderno (Francis Wolff, 2004).
Por trás da ignorância do outro está o princípio de que a minha civilização por ser a “perfeita” deve ser universalizada, uniformizada. Não é isso que mobiliza a cruzada pelo fim do “eixo do mal”, pela ocidentalização do mundo? A cruzada pela islamização do mundo? Será essa a dicotomização mais coerente? Barbárie e civilização, ou existe duas formas de barbáries: “a barbárie destrutiva do fanatismo versus a barbárie devastadora da civilização”(idem).
Com o fim do Império Britânico, Rooselvet antecipara a postura dos Estados Unidos frente a sua nova condição de determinar o destino do mundo, ridicularizou os britânicos e se apropriou dos slogans e da propaganda britânica para impor um modelo acabado de sociedade baseada na cultura Norte Americana (EUA): “uma civilização melhor que é a que sempre conhecemos está reservada para a América e, por meio de nosso exemplo, talvez para o mundo. O destino parece ter se detido longamente” (Discurso Comemorativo dos Cinqüenta Anos da Estatua da Liberdade, NY, 28 de outubro de 1936. Citado por Meszáros, 2003)
A postura Norte Americana manteve-se com uma determinação rigorosa de conduzir o mundo sob a sua batuta e historicamente manteve subservientes os governantes britânicos, transformando-os em “cavalo de Tróia” em sua escalada de ocupação militarista aos países que teimam em não permitir serem conduzidos política e economicamente pelos EUA (Meszáros, 2003).
Em “Socialismo e Barbárie”, Meszáros conclui sua obra afirmando que Marx previu que em um futuro indeterminado haveríamos de enfrentar, forçosamente, a escolha em relação à ordem social a ser adotada, como imperativo de salvar a própria existência, pois já havia um processo crescente de desumanização das relações sociais. Rosa Luxemburgo, em outra fase da história, retomou os argumentos de Marx só que o poder destrutivo (da humanidade) da máquina militar do imperialismo ainda não era cogitado. Hoje vivemos em uma outra escala, onde o potencial qualitativo de destruição da humanidade alcançou trágicos contornos, sem o que, o capitalismo globalizado apresente capacidade para solucionar suas contradições.
Finalmente, o terrorismo é uma forma de guerra não declarada onde não se conhece o oponente face-a-face, diga-se de passagem, os Estados Unidos já utilizou em larga escala este instrumento, hoje condena momentaneamente por não servir aos seus propósitos que é o da intervenção direta com objetivos de ocupação imediata. Desse modo, se a guerra é o lado perverso da luta entre os povos; a guerra não declarada é utilizada com sutileza ainda mais perversa pelo poder da mídia a serviço do imperialismo. Os atos são apresentados com alta carga de dramaticidade, construídas com slogans que estimulam a ignorância sobre o que é barbárie e civilização, mas que, infelizmente, são consumidas pelo o senso comum. Tudo isso comandado pelo jornalismo comprometido com os propósitos da potência militar estadunidense que costuma encobrir os reais motivos da guerra, que é a falta de igualdade substantiva entre os povos.
Este Blog do Prof. Miguel Pereira. Tem como objetivo interagir com pessoas e seus artigos.Receberá contribuições de outros blogueiros ou de qualquer pessoa.
terça-feira, 10 de maio de 2011
segunda-feira, 9 de maio de 2011
DIVISÃO DO PARÁ: POBREZA REPARTIDA, QUEM SOFRERÁ É O POVO
Variados meios de divulgação condenam a divisão do Estado do Pará. Afirmam ser um prejuízo não calculado que levará a população paraense e os possiveis estados a sofrerem consequências desastrosas, no que diz respeito a melhoria de condições de vida do povo. Porém, por outro lado, percebe-se dois tipos de vozes favoravéis: a do povo desinformado; e dos que têm interesses meramente político-eleitoral.
Nesta postagem, publico parte da entrevista com pesquisador do IPEA sobre o assunto.
Ipea: plebiscito no Pará pode dar origem a dois estados inviáveis
Caso sejam criados, os estados de Carajás e Tapajós serão economicamente inviáveis e dependerão de ajuda federal para arcar com as novas estruturas de administração pública que precisarão ser instaladas. É o que afirma Rogério Boueri, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Pará
Considerando os dados mais recentes disponíveis, referentes a 2008, Boueri concluiu que Tapajós e de Carajás teriam, respectivamente, um custo de manutenção de R$ 2,2 bilhões e R$ 2,9 bilhões ao ano. Diante da arrecadação projetada para os dois estados, os custos resultariam num déficit de R$ 2,16 bilhões, somando ambos, a ser coberto pelo governo federal, conforme o especialista do Ipea.
O PIB do Pará em 2008, ressaltou o economista, foi de R$ 58,52 bilhões, e o estado gastou 16% disso com a manutenção da máquina pública. O estado do Tapajós gastaria cerca de 51% do seu PIB e o de Carajás, 23%. A média nacional é de 12,72%. “Nessas bases, não tem estado que se sustente”, afirma Boueri.
Os cálculos do pesquisador se baseiam nas médias de gasto com a manutenção da máquina pública por habitante em cada estado. A partir disso, considerando as populações dos novos estados em discussão, ele chegou a uma projeção de quanto cada um deles gastaria.
A estimativa não leva em conta os investimentos envolvidos na criação de estados, lembra o pesquisador, como a construção de edifícios públicos e, no caso do interior do Pará, a necessidade de implantar infraestrutura, já que será necessário ampliar aeroportos e rodovias. Para Boueri, Tapajós e Carajás “serão estados de boca aberta, esperando o dinheiro do governo federal”.
Novas capitais
Na quinta-feira (5), a Câmara aprovou projetos de realização de plebiscitos para decidir sobre a criação dos estados de Carajás e Tapajós, que seriam desmembrados do Pará. No caso de Carajás, um decreto deve ser promulgado pelo presidente do Congresso, José Sarney (PMDB-AP), autorizando a realização da consulta. No caso de Tapajós, o plenário da Câmara aprovou o plebiscito, mas ainda falta votação no Senado.
Quem defende a divisão do Pará em três estados são os prefeitos das cidades que passariam a ser capitais. Eles apontam a distância da capital Belém e a consequente ausência do governo estadual como os motivos para a divisão do estado.
Segundo Maria do Carmo, prefeita de Santarém, prevista para ser a capital de Tapajós, a criação do novo estado é uma reivindicação histórica e cultural. "Estamos a mais de 800 quilômetros da capital. Os recursos e os serviços não chegavam", disse. De acordo com a prefeita, "mesmo com o aumento da presença dos governos federal e estadual, permaneceu o espírito separatista".
Maurino Magalhães, prefeito de Marabá, que pode ser a capital de Carajás, disse que vai "batalhar" pela criação da nova unidade da federação. "A maioria da população da região é favorável à divisão", disse Magalhães. "Somos uma região de difícil acesso e com pouca presença do governo estadual. Por isso, vai ser importante a criação de Carajás para o desenvolvimento da nossa região."
Em nota, o governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), se disse favorável ao plebiscito, mas afirma que a população "deve ter total clareza do que vai escolher e suas reais consequências".
Da Redação, com informações do G1. Republicado no portal do "Vermelho"
Nesta postagem, publico parte da entrevista com pesquisador do IPEA sobre o assunto.
Ipea: plebiscito no Pará pode dar origem a dois estados inviáveis
Caso sejam criados, os estados de Carajás e Tapajós serão economicamente inviáveis e dependerão de ajuda federal para arcar com as novas estruturas de administração pública que precisarão ser instaladas. É o que afirma Rogério Boueri, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Pará
Considerando os dados mais recentes disponíveis, referentes a 2008, Boueri concluiu que Tapajós e de Carajás teriam, respectivamente, um custo de manutenção de R$ 2,2 bilhões e R$ 2,9 bilhões ao ano. Diante da arrecadação projetada para os dois estados, os custos resultariam num déficit de R$ 2,16 bilhões, somando ambos, a ser coberto pelo governo federal, conforme o especialista do Ipea.
O PIB do Pará em 2008, ressaltou o economista, foi de R$ 58,52 bilhões, e o estado gastou 16% disso com a manutenção da máquina pública. O estado do Tapajós gastaria cerca de 51% do seu PIB e o de Carajás, 23%. A média nacional é de 12,72%. “Nessas bases, não tem estado que se sustente”, afirma Boueri.
Os cálculos do pesquisador se baseiam nas médias de gasto com a manutenção da máquina pública por habitante em cada estado. A partir disso, considerando as populações dos novos estados em discussão, ele chegou a uma projeção de quanto cada um deles gastaria.
A estimativa não leva em conta os investimentos envolvidos na criação de estados, lembra o pesquisador, como a construção de edifícios públicos e, no caso do interior do Pará, a necessidade de implantar infraestrutura, já que será necessário ampliar aeroportos e rodovias. Para Boueri, Tapajós e Carajás “serão estados de boca aberta, esperando o dinheiro do governo federal”.
Novas capitais
Na quinta-feira (5), a Câmara aprovou projetos de realização de plebiscitos para decidir sobre a criação dos estados de Carajás e Tapajós, que seriam desmembrados do Pará. No caso de Carajás, um decreto deve ser promulgado pelo presidente do Congresso, José Sarney (PMDB-AP), autorizando a realização da consulta. No caso de Tapajós, o plenário da Câmara aprovou o plebiscito, mas ainda falta votação no Senado.
Quem defende a divisão do Pará em três estados são os prefeitos das cidades que passariam a ser capitais. Eles apontam a distância da capital Belém e a consequente ausência do governo estadual como os motivos para a divisão do estado.
Segundo Maria do Carmo, prefeita de Santarém, prevista para ser a capital de Tapajós, a criação do novo estado é uma reivindicação histórica e cultural. "Estamos a mais de 800 quilômetros da capital. Os recursos e os serviços não chegavam", disse. De acordo com a prefeita, "mesmo com o aumento da presença dos governos federal e estadual, permaneceu o espírito separatista".
Maurino Magalhães, prefeito de Marabá, que pode ser a capital de Carajás, disse que vai "batalhar" pela criação da nova unidade da federação. "A maioria da população da região é favorável à divisão", disse Magalhães. "Somos uma região de difícil acesso e com pouca presença do governo estadual. Por isso, vai ser importante a criação de Carajás para o desenvolvimento da nossa região."
Em nota, o governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), se disse favorável ao plebiscito, mas afirma que a população "deve ter total clareza do que vai escolher e suas reais consequências".
Da Redação, com informações do G1. Republicado no portal do "Vermelho"
segunda-feira, 2 de maio de 2011
1º De Maio
Quem acredita que o primeiro de maio foi esquecido ou substituido pelas programações com cantores da "moda" está enganado, pelo mundo todo seguiram-se intensa programação de luta. Muitos trabalhadores levantaram a bandeira do socialismo. Cuba, que realizou o Congresso do partido comunista recentemente, reafirmou que a "ilha" continua a perseguir o um outro mundo possivel para os trabalhadores e a sociedade. Segue o link do Portal Vermelho que publicou um excelente artigo sobre o assunt. http://vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=153170&id_secao=7
quarta-feira, 13 de abril de 2011
INSURREIÇÕES NO MUNDO ÁRABE - POR RAIMUNDO JUNIOR (TOQUINHO)
Por ser assunto de importância no campo da política internacional publico na íntegra a colaboração do estimado (Toquinho) conhecido em nosso meio (Conceição do Araguaia) como "Mundico". Sociologo e Bibliotecário, Servidor Público Federal (IFPA).
INSURREIÇÕES NO MUNDO ÁRABE
O mundo atual vive uma ebulição política, por conta dos processos insurrecionais vividos pelos países árabes, que tem por motivação o fundamentalismo religioso e a questão da política imperialista na região, que remonta o expansionismo territorial de Israel expresso na guerra dos seis dias, que ocupou parte do território da síria, Egito e Jordânia.
A população dos países muçulmanos sempre condenou as iniciativas de aproximação com o ocidente, e os acordos e alianças espúrias com as potencias capitalistas e seu aliado na região, Israel. Senão vejamos o caso emblemático do Egito, que após firmar a paz em separado com Israel, através do acordo de Campi Davi (1979) assinado por Anuar El-Sadat, reconhecendo o Estado sionista e enfraquecendo e isolando a unidade árabe na sua luta para recuperar os territórios ocupados, gerou um descontentamento generalizado no mundo árabe e um sentimento de revolta, que culminou com o assassinato de El-Sadat por fundamentalistas religiosos. O seu sucessor Hosni Mubarak continuou com a mesma política, sendo aliado de primeira hora do imperialismo, nas guerras do Golfo e no massacre ao povo palestino. E por conta disso, Mubarak veio a sofrer um atentado em 2006, que quase o vitimou de morte. Até que por fim, foi apeado do poder por essa recente onda revolucionária.
O Egito, por sua importância geopolítica, por ser um Estado fronteiriço à Israel e ser o mais forte dos países árabes, a política imperialista foi operada através de uma intervenção menos militar, e mais diplomática e de logística aos grupos opositores do regime, para no fim fazer um arranjo político, trocando Mubarak por uma junta militar, sem realmente mudar nada. Afinal, os EUA jamais irão aceitar que esse país vizinho à Israel, e o segundo mais importante aliado do imperialismo ianque na região caia nas mãos de grupos fundamentalistas radicais.
Não menos diferente, na Líbia de Muammar Kadafi, o regime socialista instalado tinha também o viés nacionalista, era próximo da extinta URSS, e apoiava a OLP e a causa Palestina contra o Estado de Israel, sendo por isso, vítima de um embargo econômico, na década de 80, sob acusação de apóio a grupos terroristas. Porém, a capitulação de Kadafi deu-se a partir da década de 90, quando o governo realizou movimentos de aproximação com o ocidente, através da abertura da economia ao capital estrangeiro, da privatização de setores estratégicos e da ruptura diplomática com o Irã, por este apoiar grupos radicais. Isso também gerou indignação e revolta na população de maioria muçulmana, que culminou com uma tentativa de assassinato à Kadafi, em 1998, cuja autoria foi reivindicada pelo grupo extremista “Movimento dos mártires Islâmicos”. E agora, depois de tanta traição à luta do povo árabe, Kadafi se segura para não ser apeado do poder por grupos opositores ao regime.
Em termos político-militar, a coalizão imperialista faz uma intervenção armada “cirúrgica” para derrubar o ditador Kadafi do poder, de olho nas reservas inexploradas de petróleo, de um lado, e de outro lado, para evitar que o poder caia nas mãos de grupos fundamentalistas hostis e avessos ao imperialismo ianque. Em meio às pressões internas e externas, o ditador parece se sustentar no poder, por aquilo que Nietzche costuma chamar de “desejo de poder”, que acompanha toda e qualquer criatura viva.
História parecida tem a Síria governada pelo partido Baath desde 1963. O regime dos al-Assad também tem um caráter nacionalista e socialista, era próximo da extinta URSS e sempre foi partidário da causa palestina contra Israel. Porém, capitulou ante aos interesses do imperialismo americano, se opondo ao Iraque na primeira guerra do Golfo. E, politicamente falando, os EUA têm grande interesse numa insurreição dirigida nesse país, por fazer fronteira e ser extremamente hostil ao vizinho Israel e aos interesses imperialistas.
Em síntese, a religião que sempre foi um fermento desses conflitos no oriente médio, também sempre foi usada como pretexto para a edição dessas novas cruzadas, por parte das potências capitalistas, representando o mundo ocidental cristão, de um lado, e de outro lado, por parte dos países muçulmanos, para a edição da Jiha islâmica ou guerra santa, que os grupos radicais Xiitas usam para combater o ocidente impuro e infiel e seu aliado, Israel. Na verdade, o componente religioso esconde as disputas territoriais, os interesses imperialistas na região, a luta pela autonomia palestina nos territórios ocupados, a construção e o reconhecimento de um Estado palestino, etc. É como dizia Voltaire, “se Deus não existisse, teria que ser inventado”, porque sempre interessa a um lado e outro, passar para a sua opinião pública a idéia de que esses conflitos não passam de um duelo do bem contra o eixo do mal.
Portanto, o fato é que, enquanto persistir a busca alucinada por reservas de petróleo e de mercado por parte dos países imperialistas, os conflitos não vão cessar, e vamos continuar assistindo a edição de novas cruzadas, de um lado. E de outro lado, enquanto Israel não devolver os territórios ocupados (colinas Golã, Cisjordania e Gaza), parar com a política segregacionista e de massacre aos palestinos e permitir a criação de um Estado laico, democrático e independente na palestina, o oriente médio vai continuar sendo um barril de pólvora. E quanto a nós, só cabe em respeito à autodeterminação dos povos, a solidariedade e o apoio à luta do povo árabe contra a opressão imperialista dos EUA e seu aliado na região, Israel.
INSURREIÇÕES NO MUNDO ÁRABE
O mundo atual vive uma ebulição política, por conta dos processos insurrecionais vividos pelos países árabes, que tem por motivação o fundamentalismo religioso e a questão da política imperialista na região, que remonta o expansionismo territorial de Israel expresso na guerra dos seis dias, que ocupou parte do território da síria, Egito e Jordânia.
A população dos países muçulmanos sempre condenou as iniciativas de aproximação com o ocidente, e os acordos e alianças espúrias com as potencias capitalistas e seu aliado na região, Israel. Senão vejamos o caso emblemático do Egito, que após firmar a paz em separado com Israel, através do acordo de Campi Davi (1979) assinado por Anuar El-Sadat, reconhecendo o Estado sionista e enfraquecendo e isolando a unidade árabe na sua luta para recuperar os territórios ocupados, gerou um descontentamento generalizado no mundo árabe e um sentimento de revolta, que culminou com o assassinato de El-Sadat por fundamentalistas religiosos. O seu sucessor Hosni Mubarak continuou com a mesma política, sendo aliado de primeira hora do imperialismo, nas guerras do Golfo e no massacre ao povo palestino. E por conta disso, Mubarak veio a sofrer um atentado em 2006, que quase o vitimou de morte. Até que por fim, foi apeado do poder por essa recente onda revolucionária.
O Egito, por sua importância geopolítica, por ser um Estado fronteiriço à Israel e ser o mais forte dos países árabes, a política imperialista foi operada através de uma intervenção menos militar, e mais diplomática e de logística aos grupos opositores do regime, para no fim fazer um arranjo político, trocando Mubarak por uma junta militar, sem realmente mudar nada. Afinal, os EUA jamais irão aceitar que esse país vizinho à Israel, e o segundo mais importante aliado do imperialismo ianque na região caia nas mãos de grupos fundamentalistas radicais.
Não menos diferente, na Líbia de Muammar Kadafi, o regime socialista instalado tinha também o viés nacionalista, era próximo da extinta URSS, e apoiava a OLP e a causa Palestina contra o Estado de Israel, sendo por isso, vítima de um embargo econômico, na década de 80, sob acusação de apóio a grupos terroristas. Porém, a capitulação de Kadafi deu-se a partir da década de 90, quando o governo realizou movimentos de aproximação com o ocidente, através da abertura da economia ao capital estrangeiro, da privatização de setores estratégicos e da ruptura diplomática com o Irã, por este apoiar grupos radicais. Isso também gerou indignação e revolta na população de maioria muçulmana, que culminou com uma tentativa de assassinato à Kadafi, em 1998, cuja autoria foi reivindicada pelo grupo extremista “Movimento dos mártires Islâmicos”. E agora, depois de tanta traição à luta do povo árabe, Kadafi se segura para não ser apeado do poder por grupos opositores ao regime.
Em termos político-militar, a coalizão imperialista faz uma intervenção armada “cirúrgica” para derrubar o ditador Kadafi do poder, de olho nas reservas inexploradas de petróleo, de um lado, e de outro lado, para evitar que o poder caia nas mãos de grupos fundamentalistas hostis e avessos ao imperialismo ianque. Em meio às pressões internas e externas, o ditador parece se sustentar no poder, por aquilo que Nietzche costuma chamar de “desejo de poder”, que acompanha toda e qualquer criatura viva.
História parecida tem a Síria governada pelo partido Baath desde 1963. O regime dos al-Assad também tem um caráter nacionalista e socialista, era próximo da extinta URSS e sempre foi partidário da causa palestina contra Israel. Porém, capitulou ante aos interesses do imperialismo americano, se opondo ao Iraque na primeira guerra do Golfo. E, politicamente falando, os EUA têm grande interesse numa insurreição dirigida nesse país, por fazer fronteira e ser extremamente hostil ao vizinho Israel e aos interesses imperialistas.
Em síntese, a religião que sempre foi um fermento desses conflitos no oriente médio, também sempre foi usada como pretexto para a edição dessas novas cruzadas, por parte das potências capitalistas, representando o mundo ocidental cristão, de um lado, e de outro lado, por parte dos países muçulmanos, para a edição da Jiha islâmica ou guerra santa, que os grupos radicais Xiitas usam para combater o ocidente impuro e infiel e seu aliado, Israel. Na verdade, o componente religioso esconde as disputas territoriais, os interesses imperialistas na região, a luta pela autonomia palestina nos territórios ocupados, a construção e o reconhecimento de um Estado palestino, etc. É como dizia Voltaire, “se Deus não existisse, teria que ser inventado”, porque sempre interessa a um lado e outro, passar para a sua opinião pública a idéia de que esses conflitos não passam de um duelo do bem contra o eixo do mal.
Portanto, o fato é que, enquanto persistir a busca alucinada por reservas de petróleo e de mercado por parte dos países imperialistas, os conflitos não vão cessar, e vamos continuar assistindo a edição de novas cruzadas, de um lado. E de outro lado, enquanto Israel não devolver os territórios ocupados (colinas Golã, Cisjordania e Gaza), parar com a política segregacionista e de massacre aos palestinos e permitir a criação de um Estado laico, democrático e independente na palestina, o oriente médio vai continuar sendo um barril de pólvora. E quanto a nós, só cabe em respeito à autodeterminação dos povos, a solidariedade e o apoio à luta do povo árabe contra a opressão imperialista dos EUA e seu aliado na região, Israel.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Movimentos sociais devem retomar as ruas!
A Ala neoliberal presente do governo Dilma puxa a corda para posicionar o seu governo à direita. A votação do salário mínimo, no dia 16 de fevereiro, é forte indicação de que o grupo financista ganhou a queda de braço, neste primeiro round, no governo em disputa de Dilma. O artigo de Miro é um excelente indicador de que os movimentos sociais devem retonar as ruas para enfrentar o grupo ortodoxo dirigido por Palocci e companhia. O grupo neoliberal encastelado no PT, derrotado parcialmente no último governo de Lula, volta a tomar folêgo e atua com desenvoltura neste inicio de governo de Dilma. Neste momento é essencial que os movimentos sociais aqueçam as turbinas para volta às ruas, tendo clareza que os cortes indicados de 50 bilhões, podem e vai incidir sobre os ganhos sociais conquistados a duras-pena nestes oito anos de govern Lula.
A batalha que se avizinha chama o movimento sindical para lutar a favor da redução de horas de trabalho, o que exigirá uma forte organização sindical que conquiste a sociedade para a necessidade de avançarmos para melhores condições de vida para o trabalhador brasileiro. Neste sentido, outros setores da sociedade como: estudantes, movimento pela moradia, sem terras etc. devem buscar forte unidade.
Todos precisamos formar opinião e neste sentido o artigo de Miro no Vermelho é uma excelente forma de informação e formação. leiam!
A batalha que se avizinha chama o movimento sindical para lutar a favor da redução de horas de trabalho, o que exigirá uma forte organização sindical que conquiste a sociedade para a necessidade de avançarmos para melhores condições de vida para o trabalhador brasileiro. Neste sentido, outros setores da sociedade como: estudantes, movimento pela moradia, sem terras etc. devem buscar forte unidade.
Todos precisamos formar opinião e neste sentido o artigo de Miro no Vermelho é uma excelente forma de informação e formação. leiam!
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
LIBERDADE DE IMPRENSA II
O processo, que tramita no Supremo Tribunal Federal, busca definir a democratização da mídia, proposta pela Confederação Nacional de Comunicação e Publicidade, que tem gerado sérias polêmicas e promete ser um os assuntos mais debatidos durante o primeiro semestre de 2011. Esse tema é mobilizado pela perspectiva de ampliar o controle da sociedade sobre a grande mídia e também é parte integrante da luta pela democratização dos meios de comunicação que deve ser a luta pela plena cidadania, pela informação, pela garantia do direito de resposta de qualquer cidadão ofendido pelos meios de comunicação, proibição dos monopólios e oligopólios e o cumprimento da obrigação constitucional que determina que rádios e televisões devem priorizar em suas programações o conteúdo informativo, educativo e artístico, com finalidades culturais nacionais e regionais.
A finalidade ou mérito da lei corresponde tratar de um assunto sensível e provocações acaloradas. Digamos que existe uma linha tênue que separa o “medo” de retornamos ao período autoritário ou da mordaça pública dos desejos democráticos, e a busca de espaços na esfera pública para o exercício do debate crítico e autônomo, necessário para a prática democrática. No fundo o que estamos conversando é sobre comunicação, no geral comunicação é a transferência de informação de um individuo ou grupo para outro, que poder se realizar por meio da fala ou através da mídia de massa na atualidade. Comunicar-se é irrestringível e impossível de se deter, não é isso que se quer regular. O que se quer é definir o papel da mídia e o direito do cidadão, justamente por isso, quando se deseja permitir direito, em uma democracia, é necessário limitar o poder que a mídia exerce irrestritamente sob as mentes dos cidadãos.
A mídia tem um caráter, já discutido por autores como Harold Innis e Marshall McLuhan (1950, 1951), de exercer uma forte influência sobre a organização da sociedade. A televisão é uma exemplo, diferente do livro, é eletrônica, visual e composta por imagens mutáveis. Segundo McLuhan citado por Giddens (2005), “o cotidiano é vivido de maneira diferente em uma sociedade na qual a televisão desempenha um papel fundamental, em comparação com outro que conte apenas com o meio impresso”. A televisão se dimensiona exponencialmente e constitui uma aldeia global. Assistimos hoje, em tempo real, o que acontece no mundo inteiro. Assistimos o desenrolar de uma guerra, as mudanças climáticas, as mudanças políticas, culturais, sociais e econômicas do mundo inteiro. Habermans (1989) afirma que esse modo da indústria cultural de globalizar-se exige receptores propensos a aceitar a manipulação e o controle e negar o debate democrático, sufocado pela indústria cultural, e impedir a condição de igualdade em fóruns preparados para debate público o que exige a construção de indivíduos com capacidade de desenvolverem um pensamento crítico e independente.
Atualmente mídia eletrônica capitaneada pela internet, desfragmentou os meios de comunicação. A mídia não é mais compartimentada, jornais, televisão, rádio, revistas podem ser acessadas em uma única ferramenta, a internet. Como Giddens, citando Baudrillard, (2005) aponta, essas ferramentas não permitem criarmos o mundo ao nosso redor, “não apenas “representa” o mundo para nós, mas serve para definir como é este mundo em que vivemos”. Cada vez mais vivemos no mundo da hiper-realidade feito de simulacros, o que significa afirmar que não existe uma “realidade”. A realidade são imagens justapostas, que não possuem nem uma relação com a realidade externa. Como exemplo podemos citar a tomada do Morro do Alemão na cidade do Rio de Janeiro. A televisão transformou o episódio em um espetáculo de televisual em que a realidade e a verdade eram apenas uma série de imagens que definiam e construíam o mundo real para nós, nem um debate, nem uma opinião controversa fora emitida pelos canais de televisão.
Thomaz Wood Jr., articulista da revista Carta Escola, (dez. e jan. 2010), faz uma reflexão importante em sua resenha ao comentar o artigo do jornalista Nicholas Carr, intitulado “Estará o Google nos tornando mais estúpidos?”. Comenta Wood, que Carr conclui que a “internet está mudando a forma como nós pensamos, nos tornando mais rasos, mais superficiais, menos originais e criativos”, causa dispersão prejudicando a concentração e a reflexão. Desse modo, a internet constitui-se em aliada poderosa da televisão que nos provoca emburrecimento.
Por outro lado, não devemos satanizar a mídia sem antes percebermos os impactos positivos que estas poderosas ferramentas podem possibilitar para o aprendizado e para o aumento do processo de cognição. Pierre Lévy (1993), em sua obra “As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática”, nos presenteia com a afirmação de que “É preciso insistir nas dimensões coletivas, dinâmicas e sistêmicas das relações entre cultura e tecnologias intelectuais”. Ou seja, se compreendemos que atualmente as novas tecnologias não atuam apenas na superfície das estruturas sociais, precisamos fazer uso da mídia como uma ferramenta que pode proporcionar o fortalecimento dos laços de coletividade, esfumaçada pela superficialidade da informação e faz um estrago significativo nos valores, normas, hábitos, sentidos, no olhar, enfim no mais profundo da estruturas sociais.
São todas essas questões apresentadas, não discutidas e aprofundadas, que estão no lado de trás do palco de debates sobre a democratização dos meios de comunicação e por isso relanço o desafio de discutimos justamente por meio da ferramenta que hoje criticamos. Não somos ludistas da era da informática, o “meio de transmissão” não pode substituir a mensagem, e nem pode ser destruída através de um índex, como na obra de Ray Bradbury, Fahrenheit 451, lançada em 1953, onde os livros são proscritos e quando encontrados queimados. (postarei brevemente uma resenha apenas sobre o livro).
Prof. Miguel Pereira
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