quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Movimentos sociais devem retomar as ruas!

A Ala neoliberal presente do governo Dilma puxa a corda para posicionar o seu governo à direita. A votação do salário mínimo, no dia 16 de fevereiro, é forte indicação de que o grupo financista ganhou a queda de braço, neste primeiro round, no governo em disputa de Dilma. O artigo de Miro é um excelente indicador de que os movimentos sociais devem retonar as ruas para enfrentar o grupo ortodoxo dirigido por Palocci e companhia. O grupo neoliberal encastelado no PT, derrotado parcialmente no último governo de Lula, volta a tomar folêgo e atua com desenvoltura neste inicio de governo de Dilma. Neste momento é essencial que os movimentos sociais aqueçam as turbinas para volta às ruas, tendo clareza que os cortes indicados de 50 bilhões, podem e vai incidir sobre os ganhos sociais conquistados a duras-pena nestes oito anos de govern Lula.
A batalha que se avizinha chama o movimento sindical para lutar a favor da redução de horas de trabalho, o que exigirá uma forte organização sindical que conquiste a sociedade para a necessidade de avançarmos para melhores condições de vida para o trabalhador brasileiro. Neste sentido, outros setores da sociedade como: estudantes, movimento pela moradia, sem terras etc. devem buscar forte unidade.
Todos precisamos formar opinião e neste sentido o artigo de Miro no Vermelho é uma excelente forma de informação e formação. leiam!

Miro: com Palocci no Planalto, ortodoxos voltaram a ganhar força - Portal Vermelho

Miro: com Palocci no Planalto, ortodoxos voltaram a ganhar força - Portal Vermelho

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

LIBERDADE DE IMPRENSA II

O processo, que tramita no Supremo Tribunal Federal, busca definir a democratização da mídia, proposta pela Confederação Nacional de Comunicação e Publicidade, que tem gerado sérias polêmicas e promete ser um os assuntos mais debatidos durante o primeiro semestre de 2011. Esse tema é mobilizado pela perspectiva de ampliar o controle da sociedade sobre a grande mídia e também é parte integrante da luta pela democratização dos meios de comunicação que deve ser a luta pela plena cidadania, pela informação, pela garantia do direito de resposta de qualquer cidadão ofendido pelos meios de comunicação, proibição dos monopólios e oligopólios e o cumprimento da obrigação constitucional que determina que rádios e televisões devem priorizar em suas programações o conteúdo informativo, educativo e artístico, com finalidades culturais nacionais e regionais.
A finalidade ou mérito da lei corresponde tratar de um assunto sensível e provocações acaloradas. Digamos que existe uma linha tênue que separa o “medo” de retornamos ao período autoritário ou da mordaça pública dos desejos democráticos, e a busca de espaços na esfera pública para o exercício do debate crítico e autônomo, necessário para a prática democrática. No fundo o que estamos conversando é sobre comunicação, no geral comunicação é a transferência de informação de um individuo ou grupo para outro, que poder se realizar por meio da fala ou através da mídia de massa na atualidade. Comunicar-se é irrestringível e impossível de se deter, não é isso que se quer regular. O que se quer é definir o papel da mídia e o direito do cidadão, justamente por isso, quando se deseja permitir direito, em uma democracia, é necessário limitar o poder que a mídia exerce irrestritamente sob as mentes dos cidadãos.
A mídia tem um caráter, já discutido por autores como Harold Innis e Marshall McLuhan (1950, 1951), de exercer uma forte influência sobre a organização da sociedade. A televisão é uma exemplo, diferente do livro, é eletrônica, visual e composta por imagens mutáveis. Segundo McLuhan citado por Giddens (2005), “o cotidiano é vivido de maneira diferente em uma sociedade na qual a televisão desempenha um papel fundamental, em comparação com outro que conte apenas com o meio impresso”. A televisão se dimensiona exponencialmente e constitui uma aldeia global. Assistimos hoje, em tempo real, o que acontece no mundo inteiro. Assistimos o desenrolar de uma guerra, as mudanças climáticas, as mudanças políticas, culturais, sociais e econômicas do mundo inteiro. Habermans (1989) afirma que esse modo da indústria cultural de globalizar-se exige receptores propensos a aceitar a manipulação e o controle e negar o debate democrático, sufocado pela indústria cultural, e impedir a condição de igualdade em fóruns preparados para debate público o que exige a construção de indivíduos com capacidade de desenvolverem um pensamento crítico e independente.
Atualmente mídia eletrônica capitaneada pela internet, desfragmentou os meios de comunicação. A mídia não é mais compartimentada, jornais, televisão, rádio, revistas podem ser acessadas em uma única ferramenta, a internet. Como Giddens, citando Baudrillard, (2005) aponta, essas ferramentas não permitem criarmos o mundo ao nosso redor, “não apenas “representa” o mundo para nós, mas serve para definir como é este mundo em que vivemos”. Cada vez mais vivemos no mundo da hiper-realidade feito de simulacros, o que significa afirmar que não existe uma “realidade”. A realidade são imagens justapostas, que não possuem nem uma relação com a realidade externa. Como exemplo podemos citar a tomada do Morro do Alemão na cidade do Rio de Janeiro. A televisão transformou o episódio em um espetáculo de televisual em que a realidade e a verdade eram apenas uma série de imagens que definiam e construíam o mundo real para nós, nem um debate, nem uma opinião controversa fora emitida pelos canais de televisão.
Thomaz Wood Jr., articulista da revista Carta Escola, (dez. e jan. 2010), faz uma reflexão importante em sua resenha ao comentar o artigo do jornalista Nicholas Carr, intitulado “Estará o Google nos tornando mais estúpidos?”. Comenta Wood, que Carr conclui que a “internet está mudando a forma como nós pensamos, nos tornando mais rasos, mais superficiais, menos originais e criativos”, causa dispersão prejudicando a concentração e a reflexão. Desse modo, a internet constitui-se em aliada poderosa da televisão que nos provoca emburrecimento.
Por outro lado, não devemos satanizar a mídia sem antes percebermos os impactos positivos  que estas poderosas ferramentas podem possibilitar para o aprendizado e para o aumento do processo de cognição. Pierre Lévy (1993), em sua obra “As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática”, nos presenteia com a afirmação de que “É preciso insistir nas dimensões coletivas, dinâmicas e sistêmicas das relações entre cultura e tecnologias intelectuais”. Ou seja, se compreendemos que atualmente as novas tecnologias não atuam apenas na superfície das estruturas sociais, precisamos fazer uso da mídia como uma ferramenta que pode proporcionar o fortalecimento dos laços de coletividade, esfumaçada pela superficialidade da informação e faz um estrago significativo nos valores, normas, hábitos, sentidos, no olhar, enfim no mais profundo da estruturas sociais.
São todas essas questões apresentadas, não discutidas e aprofundadas, que estão no lado de trás do palco de debates sobre a democratização dos meios de comunicação e por isso relanço o desafio de discutimos justamente por meio da ferramenta que hoje criticamos. Não somos ludistas da era da informática, o “meio de transmissão” não pode substituir a mensagem, e nem pode ser destruída através de um índex, como na obra de Ray Bradbury, Fahrenheit 451, lançada em 1953, onde os livros são proscritos e quando encontrados queimados. (postarei brevemente uma resenha apenas sobre o livro).
Prof. Miguel Pereira

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

LIBERDADE DE IMPRENSA? I parte.

Quem acompanha a choradeira dos representantes da grande mídia, quando se tenta definir com mais clareza o papel dos meios de comunicação e ao mesmo tempo abrir espaço para que o cidadão possa interferir nas programações, e para muito além, como todos podem ter o direito de resposta quando não se sentem satisfeitos com a falta de democracia por parte de quem define as programações da grande mídia. Essa lamúria dá a impressão de que no Brasil a mídia está aprisionada. Por isso, tavez, o título desta postagem deveria se definir sendo uma afirmação, liberdade da mídia: a busca da hegemonização da informação.
A busca pela hegemonização é fator predominante e embala os desejos da grande mídia, que contou com o apoio governamental, por muito tempo e permanece, quando impediu as rádios comunitárias de funcionarem, porém não se contrapos a concentração e a liberação de farto direito de instalação de rádio e televisão em todo o território nacional, com uma especificidade, apenas para os coroneis da grande mídia, protegidos pelo Ministério das Comunicações. Essa atitude governamental, proporcionou a formação de uma mídia que funciona, menos como intrumentos de informação e formação, e mais como um poderoso instrumento que define e impõem vontades, e é o vetor principal de necessidades fabricadas.
Para o Sociólogo Britânhico, Antony Giddes, a mídia é instrumento em que suas partes já não funcionam separadamente. Com as transformações tecnológicas a mída acompanhou os avanços e se constituiu em um aparato poderoso, ligado em rede, se confundiu, rádio, televisão, jornais etc. Essa metamorfose nas mãos da alite econômica brasileira constitui-se principalmente em poder político, que busca definir antes do eleitorado quem serão os candidatos e, em seguida quem governará, legislará e julgará em nome do povo brasileiro .

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A dúvida sobre o pensar sociológico: o ensino médio em questão

Com relação ao ensino de Sociologia no ensino médio há muitos problemas em sala de aula, desde a relação professor-aluno até as limitações do professor em dialogar sobre a disciplina. O artigo não pretende ser conclusivo, mas fazer parte de um conjunto de opiniões que pode contribuir para o ensino-aprendizagem em sala de aula. Em tela, este artigo tenta contribuir com o debate sobre a sociologia e suas repercussões didático-pedagógica no processo de ensino aprendizagem, especificamente a eficácia metodológica a ser empregada para constituir o olhar sociológico nas interpretações sobre a realidade social, cultural política e econômica. Esse olhar por se Tratar de um exercício intelectual que exige um conjunto de conhecimentos prévios, confunde muitos professores em sala de aula, e os alunos criam objeções à disciplina por não conseguirem entender a função da analise sociológica no cabedal de conhecimento necessário ao futuro do aluno. Por isso, inicia-se o artigo questionando como se dá o processo de observação sociológico por alunos e como o professor pode utilizar métodos de ensino que aproximem a Sociologia da realidade, porém, fundamentalmente como tratar a questão social de modo metodologicamente científica?
Para as pessoas comuns observar e interpretar a realidade não parece ser um exercício que exige grandes complexidades. É da própria natureza do Ser humano interpretar o mundo ao seu redor procurando mobilizar todas às informações possíveis para dar significado a sua existência social, cultural e filosófica, que ao longo de uma vida inteira foi absorvida por intermédio da transmissão consuetudinária. Quem pode falar sobre violência, os impactos econômicos, culturais e sociais senão aqueles que convivem no cotidiano com todas as formas de elaboração e reelaboração dos contornos simbólicos e materiais do resultado das relações sociais. Justamente por isso, quando se fala sobre essas questões em sala de aula parece redundante aos ouvidos dos alunos e inquietante para o professor que não consegue repassar o ato de raciocinar sociologicamente, apenas repete as observações e interpretações que a maioria ou parte dos alunos sabem realizar.
Mas, o que parece ser algo simples torna-se complexo quando se trata de observar e pensar de modo específico por se tratar da utilização de nomenclaturas e conceitos também específicos do modo de pensar. São espaços de construções particulares que cada ciência carrega e se diferencia. Portanto, não há uma única forma de pensar e um único caminho para buscar a validade da interpretação dos objetos e fenômenos humanos. Para Pedro Demo (2008), quanto ao método não há unidade nas ciências humanas, há uma descrição mais sólida no grupo interno oriunda das ciências sociais, onde o objeto é socialmente condicionado, ou seja, “torna-se incompreensível fora do contexto da interpretação social” (DEMO, 2008. p. 15).
Se há construções de espaços específicos no campo da observação e da interpretação, há um ofício a obedecer semanticamente que se impõem às palavras e a qualquer ciência. Essa afirmação se baseia no princípio de que não se pode discutir o nome sem que lhes seja dito o sentido informado. Então, como discutir problemas do cotidiano sem que se esclareça sobre qual o modo que se está observando e interpretando?  Qual a semântica (compreendida como o traslado das palavras ao longo de um determinado período histórico) adequada a esse modo de pensar? Problemas do cotidiano podem ser questionados e explicados pelos olhares de varias ciências e por meio da experiência sócio-cultural do senso comum. O que exige ao raciocínio sociológico ser explícito tanto no método quanto nas definições lógico-experimentais e de examinar os aspectos teóricos dos fenômenos observados, sob o domínio semânticos apresentados. Para ser mais claro vamos nos apoiar nas opiniões de Passeron (1995). Para ele todo o trabalho de determinação coordenada dos conceitos básicos vai de encontro à instabilidade do vocabulário sociológico. Ou seja, se a história é basilar para a ciência social, então, segundo Pedro Demo (2008) “o Ser histórico significa caracterizar-se pela situação de “estar”, não de “ser”.
Para as ciências humanas a marca da história não é o seu caráter cronológico e sim os seus aspectos provisórios no processo, estão de passagem ou em transição, sempre admite reparos e superações na narrativa e na semântica. De outro modo, a linguagem sociológica admite o estado caótico dos enunciados conceituais e se afirma sob o limite da linguagem do campo teórico que determina a sua coerência conceitual.
Assim, ao retomar os aspectos iniciais deste artigo, provisoriamente concluímos que a Sociologia demanda o contexto histórico, do mesmo modo que se exige dotar os alunos de conhecimento do modo de pensar sociológico, e em consequência é necessário dotá-los da semântica vocabular do raciocínio sociológico, o que torna imprescindível que se estabeleça relação direta entre a realidade cotidiana e a linguagem própria que identifica o modo de raciocinar sociologicamente. Por exemplo, podemos discutir sobre a amizade utilizando um determinado modo de pensar que relacione e mobilize um conjunto de olhar, filosófico, psicológico, histórico, geográfico, químico-biológico, estatístico etc. a Sociologia poderia se apropriar dessa variação de olhares para explicar a amizade, mas sem a semântica e os conceitos sociológicos poderia ser tudo menos o olhar e o pensar sociológico.
A Sociologia é um instrumento de abrangência teórica de apreensão e da compreensão das transformações históricas atuais, apresenta-se complexa por sua densidade interna, ciência especifica que aceita permeabilização com outras ciências, com a metodologia que abrange as ciências humanas, por isso não é qualquer observação e interpretação da realidade que se expressa como sociológica.
 Desse modo, a simplificação reducionista, que quer tratar do fato social como representação da realidade onde os conceitos e a teoria não guardam lugar é também guetizar a Sociologia a um confuso emaranhado da explicação vulgar, onde não trata de determinar as realidades sociais de modo que se possa compreendê-las sociologicamente, e nem tampouco estimula a curiosidade por ser apenas uma fotografia da realidade.
Por outro lado, não se pretende transformar a Sociologia, principalmente para o ensino médio, em uma plataforma teórica onde os alunos não conseguem alcançar e acompanhar as intervenções dos professores em sala de aula, exclusivamente aquela que se afasta da vida real.
Para raciocinar sociologicamente são necessários conhecimentos prévios, como, o que são: instituições, comunidade, movimento social, sociedade, socialização, estrutura social, classes sociais, estratificação social etc.: a luz dos conceitos sociológicos. Porém, a questão que deve perturbar os professores é como associar, sem artificializar e cair no reducionismo, esses conceitos. E mais, sem arranjar os encaixes forçados de teorias e doutrinas quando o discurso perde sentido por falta de continuidade da teoria à realidade. Neste momento está em cena a perspectiva interdisciplinar. Se não se domina os conceitos sociológicos como emprestar conceitos e intervenções de outras ciências, às vezes a demanda da Sociologia já exige um esforço “descomunal” para o professor se atualizar. Entretanto, quando perde a capacidade de conhecer outras ciências perde o vigor para multiplicar o olhar. Onde ficamos? No meio termo que é a melhor posição, guardando as especificidades relacionadas às ciências humanas.
Pensar sociologicamente exige capacidade de complementação do conhecimento teórico, pouco exercitado principalmente nas escolas, que é a pesquisa. Essa é uma forma fundamental para fazer com que os alunos relacionem teoria e realidade e antecipem a sua formação encontrada no ensino superior. Antes mesmo de o professor discutir em sala de aula sobre os conceitos sociológicos torna-se interessante que os alunos, primeiramente, pesquisem com orientação, sobre como se processa a pesquisa, em bibliotecas, revistas, jornais, internet etc.
É importante que o aluno possa interagir com a sociedade sobre os temas, entrevistando, observando locais e pessoas comuns para saber se conhecem ou não o que significa comunidade, sociedade etc. Este exercício servirá para o aluno perceber que fora da escola as pessoas pensam sobre os temas tratados em sala de aula, e que algumas pessoas sabem ao seu modo do que se trata, mas muitas pessoas comuns não saberão dizer exatamente de forma sistematizada o significado. Porém vivem sob as regras que são determinadas coletivamente, direta ou indiretamente.
Sem pressa para introduzir as teorias, precisamos entender que os teóricos fizeram ou fazem parte da sociedade e por isso estudam a sociedade em que viveram ou vivem o que modifica é a estruturação da semântica, pois, os teóricos se expressam com a linguagem do seu tempo e para o seu tempo. Lembremos, o que se está afirmando não é a negação das teorias, mas a sua valorização, porque teorias são contextualizadas que podem ou não ser instrumentalizadas para a atualidade. O importante é o aluno saber que para se constituir uma teoria em ciências sociais é realizado um esforço metodológico que envolve a escolha do objeto, roteiro de pesquisa de campo e bibliográfica, compreensão, interpretação, elaboração escrita e defesa.  
O aprofundamento dos conceitos sociológicos caminham junto com a experiência da construção teórica da realidade. Pedrinho Guareschi (1997) nos permite conhecer este processo de construção teórica com um exercício para pensar. Exemplifica o autor: para alguns a construção teórica é algo distante do processo social. Falamos em teoria, mas não sabemos dizer o significado e a construção das teorias, até utilizamos a palavra para intimidar adversários momentâneos em um debate, dizemos: “teoricamente você está confuso...”, porém se o outro perguntar: “o que é teoria?” Pronto, instalou-se a confusão. Por falta de conhecimento metodológico do processo a teoria é um exercício para os que vivem “no mundo da lua”. Não, definitivamente a falta de clareza sobre está questão nos leva para distante da realidade e, por conseguinte, nos afasta dos alunos. Então, como aproximar a construção teórica dos professores e alunos? Vejamos o processo, em colaboração com os exemplos de Pedrinho Guareschi.
Por ser a palavra “teoria” a mais usada e ao mesmo tempo mais difícil de compreender, poucas pessoas conseguem processar a teoria no dia-a-dia para um enunciado mais complexo. A gente vê vários fatos acontecerem durante o dia: um acidente, um homem escutando um rádio, uma criança morre. Sem se dar conta a gente começa a descobrir semelhanças entre os diversos fatos, ou seja, vai juntando os fatos singulares entre si. Percebe que a maioria dos acidentes se dá nos dias de chuva: liga acidente a chuva. Um homem escutando esporte em um rádio: junta o homem a esporte. Crianças que morrem são pobres: junta morte de crianças com pobreza. Conclusão: quando se junta semelhanças entre fenômenos se está fazendo uma generalização, ou uma lei. Assim se descobre três leis: 1) a chuva dá ocasião a acidentes; 2) os homens escutam principalmente esporte nos rádios; 3) a pobreza propicia a morte de crianças. Então teoria é um conjunto de fenômenos que procura explicar a realidade entre fatos concretos e singulares. Quando se têm algumas generalizações, ou leis, sobre determinada realidade, tem uma teoria.
São estas as formas que podem aproximar o aluno da importância do conhecimento e contato com as mais variadas ciências. São passos iniciais que poderão ser o modo pelo qual os alunos e professores passarão a adquirir o olhar e interpretação sociológicos. Saber que conhecer o processo metodológico de observação das ciências sociais, em particular da Sociologia, pode agudizar a curiosidade, perspicácia intelectual e a interpretação crítica sobre a sociedade.

Bibliografia consultada
DEMO, Pedro. Introdução à metodologia da ciência / Pedro Demo. – 2. ed. - - 16. reimpr. – São Paulo : Atlas, 2008.
GUARESCHI, Pedrinho Alcides, 1940 - Sociologia Critica: alternativas da mudança. Porto Alegre. Mundo Jovem. 1997
PASSERON, Jean-Claude. O raciocínio sociológico: o espaço não popperiano do raciocínio natural/Jean-Claude Passeron ;  tradução de Beatriz Sidou. – Petropolis, Rj: Vozes, 1995.
Sociologia e ensino em debate : experiências e discussão de Sociologia no ensino médio / Org. Lejeune Mato Grosso de Carvalho. – Ijui : Unijui, 2004. 392 p.